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Poeira na Estante.

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Ainda mesmo que eu perca o verso. Ainda mesmo, minha mente insiste em me convencer do inverso. Mesmo assim, em seus lábios vejo um pretexto. Mesmo que não haja motivos. Ainda me falta versos. E poeira fica juntando na estante de livros. Quão é grande meu amor pela poesia. Mesmo que a rima seja escarça. Ainda olho no espelho, E invento mais uma desculpa para meu dia que seja bonito. Tenho saudade do cheiro dos meus livros. Do sebo das velas, das suas páginas amarelas. Tenho saudade da minha caligrafia. Borrões de imagens em forma de poesia. Busco um motivo para me reinventar. De sair dessa melancolia. Ainda encontro um jeito, Ainda rezo, Para voltar a ser poeta um dia.

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Partilhar Dá-me uma razão para amar, Um motivo para gostar Um olhar para encontrar, No seu sorriso a minha paz. Dá-me seus passos para seguir. Sua sombra a me guiar, Dá-me um gesto para tocar, Um coração para habitar. Dá-me um sonho para perseguir, Uma maneira para te encontrar. Uma família para construir, Um lugar para sonhar. Dá-me um abraço para sentir. No calor dos seus braços me distrair. Dá-me um segredo para partilhar. Seu toque para lembrar. Dá-me um ombro para chorar. Um rio de lágrimas para me banhar. Medos, pesadelos, erros para consertar. Um frio na barriga para sentir. Dá-me um passado para abandonar. Dá-me uma canção para cantar. Um verso para declamar. Um amor para ao seu lado, estar.

Preciso...

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Preciso escrever um livro, Preciso correr os riscos. Preciso expandir meu sorriso Preciso ser mais feliz comigo Preciso encontrar um verso Preciso correr mais que isso Preciso ser perverso Preciso tanto de amigos Preciso comer um lanche daqueles Preciso vestir a roupa que me convém Preciso mostrar meus dentes Preciso ler o que os meus olhos vêm Preciso discorrer sobre isso Preciso correr tudo aquilo Preciso aceitar meus desafios E preciso correr meus riscos. Preciso morrer para ter aquilo Preciso correr senão perco isso Preciso escrever antes Que aquilo vire isso E antes que isso vire aquilo.

Poeta Delirante.

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  Prefiro ser um poeta delirante Ao invés de colecionar opiniões na minha estante. Cultivar essa minha loucura inquietante Pois não me conformo com uma cura brilhante.   Prefiro jogar meus versos ao vento E sair correndo, Por campos de flores de cheiro agridoce   Ser um palhaço e rir da própria palhaçada, Não me conformar com a vida nefasta. E ligar o motor da minha criatividade Na estrada da saudade. Declamar versos de amor puro E não viver implorando por sua piedade.   Prefiro ser um poeta delirante E fugir dessa selva de pedras ruminantes. Em meus delírios buscar os poemas mais escondidos. Um verso de que me seja o remédio, Para curar meu tédio E ser um homem de verdades marcantes Afinal, prefiro ser um poeta delirante. Do que colecionar opiniões na minha estante.

Poeira Pelos Cantos.

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Acho que fico juntando poeira pelos cantos. E meu teto de vidro finalmente se quebrou, Acho que estou invisível pela verdade Coberto pelo seu manto. O meu olhar se restringe ao verso Inverso, Senhor Doutor. Acho que segredos não batem à porta. E fica sempre um grito ao meio da garganta. Adjetivos recortados em revistas Jogados janela a fora. Acho que a vida é mais que elogios E não me encaixo na sua dialética. Pois ao ouvir seu nome sempre me vem um calafrio, E minha estante está cheia de vida poética. Acho que fico juntando poeira pelos cantos. Dessa magia não me extrai encantos Vamos sair. Qualquer balada é boa. Para uma noite tão fria Um gole de uísque em minha boca, Aviva-me minha imaginária alegria.

Cantou Verso, Prosa e Pneu

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O meu amigo disse adeus Cantou carro, gasolina e pneus. Deu um cavalinho de pau no breu  E o beijo daquela menina que perdeu. A noite é triste, é cruel. Os carros passam na avenida Sem ao menos dizer adeus É a vida Tão frágil e pequenina Pode acabar num ranger de pneus. Ainda ouço o barulho dos motores Girando, rodando Como um Carrossel. Fumaças de cinzas Bitucas de cigarros largadas na esquina Um copo da sua melhor bebida E ele não me disse adeus Num cantar de pneus Cantou verso, prosa e poesia. A vida é cruel Pagou meu uísque Fazendo-me de Raphael A vida é um crime  E eu sou seu réu.

Gosto

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Gosto de admirar a beleza da lua e as estrelas Gosto do seu riso de menina solteira Do Rock´n´roll, my baby! Da expressão: café com leite. Gosto da temática poética Das vantagens de ser poeta Gosto de virar meu mundo ao aveso Enquanto escrevo meus versos. Gosto do som suado nos meus ouvidos Do seu jeito doce de bailar. Gosto dos seus carinhos, Como é bom ter a quem amar. Gosto da cidade E do calor desta tarde Gosto do som da bola E de tudo o que está a minha volta Gosto do desenho da minha janela E gosto do ritmo dos passos dela Gosto dos efeitos do universo Da capa, Do que está escrito no verso Gosto deste ritmo frenético E dos medos e do que me faz amar Do que mais posso gostar?

Existência

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Há um poeta Há um menino Há um verso Há um livro É da sua natureza Murmúrios e arrepios Há uma folha Há um papel Há uma caneta Que me leva ao céu Há uma tristeza Há uma esperança Num sorriso No coração de uma criança Há o medo Há o desespero Há a solução Há o coração Há a morte Há a vida Há uma existência Nela contida.

Vida Poética

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O meu caminho é as letras. Os meus passos: Poesia. Minha boca verso É a busca constante para uma rima Obsessão! O meu dom é formado por palavras bonitas. E ao bailar da minha caligrafia. Procuro inspiração, Em ruas, avenidas... Amor da vida Que se transforma em verso, Poesia. Caminho nesta estrada, Contemplo esta estrada. Sou esta estrada. Quantos eus Líricos é preciso Para transcrever a vida em versos Em harmonia. Em poesia?