Solidão



Ainda me sinto vazio por dentro. As ruas não me seduzem mais, e um beijo de uma prostituta não me valha mais que um copo de cerveja. Acho que perdi a graça e me acostumei a observar o mundo por meio de uma tela que não faz jus a realidade.

Acho que tirei os óculos de Drummond com vi em certo post em um blog muito simpático. E a poesia? Que os versos vão à merda, não a palavra digna de expressar o amor. O amor é algo indecifrável e incalculável, pois qual a quantidade de palavras capaz de dissecar uma paixão verdadeiramente genuína? Sim, eu sei, cometi muito erro e pré-julgamentos de pessoas que não conhecia e me deixei apaixonar numa simples troca de olhar ( como uma loira muito linda que vi no ônibus na volta para casa depois de uma extenuante manhã de procura a um emprego). Sei que não sou o mais qualificado para discorrer dessas questões, não vivi uma grande paixão (pelo menos não uma correspondida). Vocês pode achar que sou o mais odiado dos seres humanos ou o podre coitado que nunca beijou uma mulher, se fosse apostar acho que ficaram com a segunda opção (é mais provável).

Ainda me pego com o pé na rua e nenhum puto na carteira. Talvez querendo experimentar novas pessoas, inventar novos sabores para o jeito complicado de se cativar por uma pessoa nova. 

Mas talvez eu ache mais reconfortante o recanto que estou agora: a solidão das palavras. Aonde nenhum verso vem em minha cabeça e uma caneca de leite com Nescafé é sempre bem-vinda. Ah! As peculiaridades de se estar sozinho é algo que todos procuram mais ninguém gosta de viver. A solidão é a pior doença (quem o diga minha avó, beirando os 82 anos e tão sozinha. Ela realmente precisa de muitos cuidados). E antes que me esqueça, não vim aqui implorar seu perdão ou ser abdicado de compaixão pelo simples fato de se sentir sozinho em plena quarta-feira dia de jogo do Palmeira pela copa do Brasil ( Puta merda! Esses rojões vão me deixar surdo a qualquer momento).

Talvez minha vida vire um miserável romance, daqueles de água com açúcar como vejo em algumas bancas pela cidade (carregados de adjetivos enfadonhos e sem um pingo de coerência). E quase tenho certeza que a solidão me fez crescer mais que algumas experiências emocionais, afinal não só de palavras bonitas é feita a vida e muito que vivem são muito preocupado com a própria aparência para ficar gastando seu tempo com adjetivos espontâneos... Ainda prefiro pensar que minha vida se resume a três pontos do que um simples e direto ponto de exclamação. 

E fica a deixa: a solidão pode trazer muitos sofrimentos, mas também é a causa de muita tranquilidade, talvez mas vale uns minutos de reflexão do que ficar postando qualquer frase idiota no Facebook só para não se sentir sozinho.

Abraços!

Francisco M. C. Veiga


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